Relações líquidas, marcas sólidas: o paradoxo da comunicação hoje
Você já percebeu como, mesmo com tantas marcas falando com a gente o tempo todo, parece que nenhuma realmente conecta? É como se todo mundo dissesse a mesma coisa. Mas com palavras diferentes.
O sociólogo Zygmunt Bauman chamaria isso de modernidade líquida. Um tempo em que tudo escorre pelas mãos — relações, valores, certezas… e marcas também. Talvez você já tenha ouvido falar em “amor líquido” — que vem desse mesmo conceito de que nossas relações estão se dissolvendo, virando algo instável.
Quando uma marca muda demais pra agradar, pra estar no hype, pra caber em todas as conversas, ela pode até parecer atual, mas perde o que tem de mais valioso: coerência.
Bauman já dizia: na modernidade líquida, o compromisso dá lugar ao consumo. As relações se tornam mais frágeis, mais descartáveis. E isso não vale só para pessoas, vale também para marcas.
Agora trazendo um outro pensador para a conversa, Byung-Chul Han, em A Sociedade do Cansaço, reforça: estamos saturados de mensagens que pedem nossa atenção o tempo todo, mas entregam quase nada. Emoções fabricadas, conexões vazias.
No universo do branding, essa fluidez líquida da modernidade se manifesta com muita frequência em frases vazias, repetitivas e clichês, aquelas promessas genéricas de “inovação”, “qualidade” ou “compromisso com o cliente” que parecem feitas para qualquer marca e, por isso, acabam não significando nada. Valores que deveriam ser a essência da marca viram palavras decorativas, desprovidas de propósito real e impacto genuíno. É o famoso “conteúdo que não entrega”, um discurso que soa ensaiado e superficial, porque a marca está mais preocupada em agradar a todos do que em se manter fiel a si mesma.
Nessa realidade, a identidade da marca precisa se posicionar como uma âncora firme — algo que dê estabilidade e segurança em meio a um mar de mensagens descartáveis. Não pode ser como espuma que se dissolve na primeira onda, nem uma superfície brilhante que reflete o que está na moda, para depois desaparecer.
Ser âncora significa manter valores autênticos e coerentes, mesmo quando o mercado pressiona para mudar. É ter coragem para dizer “não” ao que não faz sentido. Em outras palavras, é resistir à tentação da diluição para manter a coerência — porque, no fim das contas, é essa coerência que constrói relacionamentos duradouros.
E é aqui que quero te convidar a refletir comigo:
- Como sustentar uma marca autêntica num mundo que te força a se diluir o tempo todo?
- Como manter solidez em uma sociedade cada vez mais líquida?
Pode ser também o momento de questionar: onde minha marca está cedendo demais para agradar? O que ela tem medo de dizer? E o que só eu posso afirmar com autoridade no meu mercado?
Deixo essas perguntas para você refletir, enquanto já te convido a se preparar para o próximo tema, sobre o pensamento de Nietzsche, o posicionamento de marca — e a coragem de afirmar quem realmente somos.
May 21, 2025
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#FilosofiaDasMarcas: Um espaço para questionar os padrões da comunicação e repensar o branding com apoio da filosofia. Porque, num mundo saturado de promessas vazias, só se conecta quem sustenta o que é.

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