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Primeiras Páginas #4

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Manu agora balzaca passou a frequentar muitas festas sem miséria com as drogas e as bebidas. Sempre “chapada” discutia o neoliberalismo e o movimento  opart . Parecia uma sereia no meio de pescadores inebriados pelo seu canto. Mexia no cabelo, mordia os lábios, erguia a sobrancelha quando queria crer numa nova ideia. Chegava ao seu quarto, tropeçando em si mesma, praticamente todas as noites, nunca acertava a chave e ria por horas até a dona da casa descer as escadas de pijama, resmungando sobre os jovens idiotas que não davam valor para o silêncio e que muito a incomodava ter que preparar o café antes das seis da manhã. Enquanto Manu quebrava o limite do “comportamento adequado” e dos costumes morais, Beto experimenta o ritmo do blues, com charuto e uísque, costume, do qual nunca mais abandonou. Apaixonou-se por diversas pernas lindas, muito mais lindas que a de Carlinha, que também olhou de baixo para cima o pôster do filme Laranja Mecânica, de Kubrick, que tinha em cima...

Primeiras páginas #3

Manu, estudante, prolixa e tagarela era diferente das meninas da sua idade, não ligava para modismo e reclamava sempre da capacidade de conseguir derrubar tudo que tinha a sua volta. Dificilmente interessara por algum menino, achava a maioria imaturo e machista, mas Beto parecia diferente, não ficava como seus amigos, tentando convencer meninas a irem para sua casa e sem perceber estava discretamente atraída por ele, mesmo já o tendo visto outras vezes naquele pub e no corredor do colégio. — Então Manu preciso ir. A gente se vê no colégio? — Sabe esse negócio de se ver no colégio é tão relativo, talvez eu vá, talvez eu mude, ainda não sei. De repente a gente se encontra por lá e se eu achar conveniente até falo com você. — Ela pausa para ver se ele esboçava alguma reação, mas o modo como a olhava não mudou. — É brincadeira, a gente se vê. — Ok — Responde fazendo um esforço enorme para processar aquele monte de palavras desconexas. — Quer companhia até sua casa? — Não obr...

Primeiras Páginas #02

#02 Sem saber ao certo como reagir, uma vez que, era impossível não relembrar tudo o que tiveram e por mais forte que fosse a vontade de correr e abraçar Alberto intensamente, Manu se conteve, colocou os óculos escuros e subiu a rua em prantos. Caminhou desajeitada em meio às pessoas, com a sensação de estar fazendo algo errado. — MANU ESPERE! — gritou Alberto. Ela olha para trás e acelera o passo, agora de fato, fugindo de uma pseudo cena frustrante em sua vida. Beto conseguiu alcança-la e a puxou pelo braço com força. E lá estava ele de frente com Manu, o coração apertado e os instintos indefinidos. Por algum tempo, achou tudo patético, quis solta-la e esquecer aquele dia, mas não teve tempo de reagir. Ela se soltou e atravessou a rua com tanta pressa que não viu o carro. Em pouco tempo, havia uma multidão em volta do corpo estendido na rua. A sirene da ambulância e a rapidez dos paramédicos denunciavam entre linhas que a situação é grave. B...

Primeiras páginas #01

Talvez vire um livro particular, garanto que há algumas continuações e até o momento um fim indefinido. Então vamos ao texto.... #01 Ela entrou na galeria indo à livraria, parou de costas para a rua movimentada cheia de bares, cinemas e lojas alternativas de moda, procurava delicadamente algum livro de seu interesse. Nesse momento cinco rapazes desciam a rua rindo até escolherem um bar, pediram uma cerveja e Alberto sentou bem na ponta da mesa na calçada, onde tinha visão privilegiada da circulação da galeria. Foi quando ao vê-la de costas, notou ansiedade e simpatia em seu peito. Parecia ser amor à primeira vista.  Ela estava com vestido vermelho bem verão, cabelos castanhos claros na altura do ombro, tinha a pele levemente iluminada e gesticulava com o vendedor, agora com o livro na mão. Há muito tempo que Alberto não interessara por alguma mulher, muito menos de costas. Sentiu uma vontade de fingir a compra de um livro e conversar com aquela moça. A...