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Mostrando postagens com o rótulo Conto

Só

Parei em frente a uma escadaria de no máximo cinco degraus baixos e largos de cimento, no qual acabava em uma parede cinza, com os blocos de concreto aparente. Tanto do meu lado direito, como do esquerdo existe um pequeno jardim abandonado. As árvores são baixas e estão com aspecto de velhas e mortas, o mato estava alto, desconexo e selvagem. Havia ausência de flores e cores naquele jardim. Era tudo tão pálido e sombrio. Antes de subir as escadas vejo um cachorro preto encostado na parede, bem perto do que seria o último degrau. Ele estava deitado com a cabeça erguida, orelhas abaixadas e seu olhar era dócil e perdido. Eu podia ver seu pequeno peito se mexer suavemente conforme respirava. Olho para trás levantando minha cabeça e enxergo o topo de uma velha casa, que estava de costas para este estranho jardim. Era impossível saber se alguém morava ali. Estralo os dedos para chamar aquele cachorro agradável e sereno, com a intenção de acariciar sua cabeça e quem sabe abraça-lo. Subo...

20/04/2012 - Algum lugar

20/4/2012 – Em algum quarto de algum lugar A porta fechou-se delicadamente. Levou com ela algumas garrafas de pinga, vodka e whisky. Tinha no bolso um saquinho de pão escrito à mão “crazy heart” com alguns doces e balas coloridas. Em frente à porta fechada podia ver todo o quarto. Duas prateleiras vazias, no qual aproveitou para colocar as bebidas. Uma cama de solteiro com um cobertor dobrado em cima do travesseiro. Ao lado da cama um pequeno criado mudo com um abajur de luz amarela e nenhuma janela. Olhou para trás e pensou se deveria trancar a porta. Optou por não fazer nada. Estava mais interessada em experimentar a bala rosa. Sentou ao pé da cama com o “crazy heart” e levou o saquinho bem próximo ao seu rosto e com um olho examinou o que tinha lá dentro. Enxergou a bala rosa e tratou de pegá-la com cuidado para que não escapasse de seus dedos. Abriu a primeira garrafa que estava na ponta da prateleira. Era vodka. Deu um gole e imediatamente sentiu um amargo de dar arre...

memórias

Ouvia alguns passos distantes, vozes, no qual não reconhecia. Estava impaciente, paralítica em algum lugar que não sabia. - Vocês estão prontos? Tem certeza? - Sim Os vi, perplexos, chocados e num choro de dor constante. Meus olhos falavam em vão: - Mãe, Pai? Posso vê-los. Desculpe não queria estar aqui. Não chorem. Estou bem. Não conseguia me mexer. Era um lugar frio, sem vida. No meu choro não havia lágrimas. Queria dizer mais coisas, queria dizer que os amava e sentiria saudade. - É ela. - Sinto muito. Espero que compreendam e possam se recuperar. Nesse momento o médico fecha uma das muitas gavetas de alumínio. Ouço os passos pesados de meus pais que some gradativamente, o médico tira a luva e se faz silêncio novamente.

Não sabia seu nome

Eduarda acorda, se arruma cuidadosamente (vai que...), se atrasa e chega ao trabalho. Sempre sai mais tarde, volta para casa, não janta, não assisti TV. Dorme. É assim todos os dias. Nessa manhã foi diferente. Eduarda passa pelo departamento vizinho e percebe que um cara novo acaba de começar ou talvez tenha voltado de férias. Enfim, olha de novo para registrar bem aquela pessoa. Na frente do seu computador, o vê andando de um lado para o outro. Pensa: “o que ele tanto faz lá fora”. Repara na calça, na camiseta. Gosta de ver as estampas. “humm...interessante”.  Não gostou do sapato, achou que era gay, mas talvez não seja. Ele olha para Eduarda. Ela vai até a área de fumantes da empresa. “acho que ele fuma. Já fumei um dia, vou voltar”. Compra um maço de cigarros e isqueiro. Acende, ele chega. Ela olha. Ele olha. “Será que é gay?”. O cigarro termina, Eduarda volta para aquele texto que precisa entregar em cinco minutos. Ele passa de novo. Ela repara a calça, de novo. “droga, ...

A porra do prato

Depois de algum tempo sozinho, comecei a pensar o porquê fui tão babaca. A gente não precisava ter se despedido daquela forma, porra não precisava mesmo, mas ela também é cabeça dura. Era só um prato inútil, se eu soubesse que ia perde-la lavava a louça inteira, limpava a cozinha, a casa. Como ela pode ter guardado tanta coisa e descontado em um prato? isso me deixa irritado, por que não falou antes. Juro que eu mudava. Nos conhecemos em uma livraria, ela estava na fila, lia o livro As Mulheres que Correm com os Lobos, mexia as pernas freneticamente, parecia estar com presa, depois descobri que é mania dela. Até sentada balançava as pernas. Quando passei por ela, fazendo de tudo para esbarrar foi então que ela olhou e deu um sorriso educado, simples. Não esbarrei, mas peguei a primeira coisa que vi na frente, uma agenda que nunca usei. Depois disso fomos casados durante 15 anos, claro que isso inclui o tempo de namoro. Nós eramos muito diferentes, mas gostavamos da mesma banda, ah...

Rosa Pink

Ela abriu o batom rosa pink, que borra a  boca e o colarinho da camiseta branca. F icou parada na frente do espelho conquistada e arrebatada. Delicadamente  ele passa as mãos  em seus ombros e devagarzinho beija o pescoço até chegar a boca. Ele tira o batom rosa e ela passa o batom rosa.

Vida pública

- O que deve ser essa sirene? - Alguém desmaiou lá embaixo! - Desmaiou de tantas compras. ---------- // -------------- - Olha a noiva aí! - Por isso as sirenes, o noivo não aguentou. --------- // -------------- - Nossa que cheiro ruim! - A tiazinha deve ter queimado a embreagem - Nossa é dentro do carro! - Não, é lá fora! - Deve ser por isso as sirenes. ---------- // ------------ - Olha aquela mulher dançando com o gato - Que bom que é um gato - É podia ser um cachorro.

(Não) Acordo

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Foto de Scaamanho Bippp...turumm...bippp... As mãos pesadas e grandes entram em atrito com a pele lisa das costas amplas. Os dedos tocavam cada parte ensaiada estrategicamente. A primeira coisa a se tocarem são os peitos firmes. As mãos sobem e descem nas costas, enquanto as pernas se cruzam e levemente levantadas, os dois corpos ficam unidos em único ritmo. Da boca macia e doce saia à respiração acelerada e excitante. O sol nascia na mórbida segunda. Entrava pela fresta da janela uma luz quente e clara. Os corpos trabalhavam como máquinas, numa sinergia de sincronismo, fazendo todas as peças do corpo humano se encaixarem. A cortina quase transparente balançada pelo vento, resfriava o corpo quente na cama. Antes dos lábios encontrarem-se eles se friccionam no pescoço e no ouvido, com movimentos carinhosos, misturados ao cheiro e suor. Bippp...turumm...bippp... - Ah não mais uma segunda atrasada.

Singela despedida

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Juliano , upload feito originalmente por Alexia Santi. . Ao abrir a porta de casa, encontro a luz da sala acessa, mas ela não costuma ficar acessa. Pensei que o Marcelo podia ter esquecido. A casa estava impecavelmente em ordem. Havia um silêncio incômodo. No tapete da sala não tinha os tênis de Marcelo espalhados. Admito que me deu uma certa angústia. Desde que fomos morar juntos ele sempre deixou seus sapatos jogados pela casa, especificamente na sala. Ao passar pelo corredor em direção ao nosso quarto, tento fazer o máximo de silêncio, andando nas pontinhas do pé, como de costume. Ao entrar no quarto escuro passo minhas mãos nos pés da cama, esperando encontrar os pés de Marcelo, apenas sinto o lençol esticado. E nada. Ele sempre dorme do lado direito. Subi as mãos para achar o corpo de Marcelo. E nada. Bato as pernas na beira da cama, porque corri desesperadamente para acender a luz. Quando vejo, ele não está, assim como suas roupas, seus tênis, livros, CDs. O inevitável ac...